10 de novembro de 2013

domingo é dia de dor
dia de silêncio
dia de passado

nesse quero pintar de azul minhas unhas
e fingir que sou feliz.

15 de outubro de 2013

uma pedra:
que não se separava do mar.
ele batendo nela incessantemente.

ela torcendo pela maré a baixar
ou pela ressaca, que a inundaria.

enquanto aqui pedimos tempo:
elaborar, silenciar, simbolizar
embebidos no suor alheio.

alheios a tudo:
con-fundidos.
Gosto de catar varetas.
alinho, invento formas, escolho algumas...

Faço isso
pra não fazer coisa qualquer.

Pra remediar o tempo:
que já não me convém.
Se ainda não era eu
é que meu dia chegaria.

O dia em que sairia
colorida, travestida
de mulher.

Na condição de abstinência,
do que é ausência,
ex-sistência.

Marianna

A menina tinha um olho,
não dois.

Era preto, o olho da menina
e não enxergava quase nada.

Agora o olho da menina
foi esculpido numa ponte

e já não sabemos
o que há depois do rio.

Talvez terra.

Olho no ombro não enxerga.