27 de junho de 2010

É inverno...
As flores exalam seus perfumes
carregados de doçura
impregnados de charme -
à noite.

A lua sozinha
no céu multidimensional pede companhia
só por um instante,
minguante
E cheio de desejos.

Minguou.

10 de junho de 2010

Minhas pretensões são tão inconstantes
contraditórias.
Tão carentes de mudanças
que de repente não desejo nada,
e procuro um motivo.

Porque mesmo sem vontade,
eu desejo

E desejo o mundo, as cidades,
os campos e as flores,
os melhores contos,
as mais inspirantes canções.

E misturar tudo
na minha pobre tentativa metafísica de criar versos,
reversos.

Numa combinação antitética
Sem sentido.

Invejo os sinestésicos
E ponto.

9 de junho de 2010

Há nesta cidade um canteiro encharcado de flores multicoloridas. Inundado de silêncio e paixão. Esgotado.

6 de junho de 2010

Lamento minhas perdas
Danço o ritmo dos velórios,
tristes melodias se projetam.

Meu peito apertado
Sentindo-se apunhalado
Tanta chuva e depois sol
Tanto sol e depois a chuva.

Dicotomia grotesca.
Quando sinto o equilíbrio
me desestruturo violentamente

Silêncio por favor.

E me ouçam,
Rios, riachos e águas:
Incita o sorriso dessas flores
Que de tão tuas
Não necessitam de ti

Mal se sabem tuas
Mal se sabem minhas.

1 de junho de 2010

Um homem sem camisa e uma garrafa na mão. Aproximados 50 anos explícitos pelo cabelo grisalho e a pele judiada pelo ar nesse tempo respirado.

Ar de São Paulo.

No meio da multidão vinha o homem, seguindo o fluxo do meu contrafluxo;
meu e do meu fluxo.
À minha direita abre-se um vazio,
formado pela multidão que andava de um lado pro outro - mas nao ali:
uns andavam pr’álgum lugar,
uns pra lugar nenhum,
uns andavam pros outros,
outros andavam pra ninguém.
O vazio não era circular, havia em seu centro nada.
Fosse uma poça, uma pedra, ou o lixo. As sobras, restos da multidão, a mistura que tomava as ruas.

Ilusão.

Mas desviavam.

O homem em sua morenisse, sacola na outra mão.
A expressão de espanto – ou não. Não chega a tanto.
Surpresa ou um espanto quase irônico.
Segue olhando para baixo. Olhos atentos ao ar.
E à esmola.
O corpo reclinado, a perna esticada e as mãos à frente.
Um “opa” com a boca.
Silencioso.
E um pulo.
Atravessando o oco criado pela inexistência
na multidão.